Wednesday, October 03, 2007

Which way to the revolution?

Há muito que não tinha tão bizarra exchange com um transeunte desconhecido. Deambulando pelo Soho, ruas cheias de gente a fumar cá fora porque agora não se pode fumar lá dentro, fui abordado por um tipo, um negro baixinho e gorducho, que com uma expressão facial entre o exasperado e o angustiado, foi directo ao assunto: "Do you know where the revolution is?". Fiz por não parecer demasiado desconcertado, e respondi-lhe com o tom de voz mais pesaroso que consegui: "sorry mate, I haven't the slightest idea".


Claro que, tratando-se do Soho, o mais provável é que a "revolution" em causa fosse um pub ou um club. Mas prefiro pensar que alguém me escolheu para partenaire de um pequeno gag melancólico sobre o estado político do mundo.

Tuesday, October 02, 2007

Mitchum

Há a fleuma britânica e há o Mitchum way. O homem que respondeu assim à jornalista que lhe telefonava expondo-lhe o projecto de escrever a sua biografia: "Desculpe, mas já contei tudo ao Los Angeles Police Department".

Thursday, September 13, 2007

Os tempos

Numa entrevista recente Alain Resnais falava longamente do seu interesse em séries de televisão – CSI, os Sopranos, 24, enfim, todas as que fazem a ordem do dia (excluindo, curiosamente, Lost, que por alguma razão dizia ter “evitado”). Eu tenho apenas uma vaga (e diferida) ideia do que é que ele está a falar – sou péssimo espectador de séries, por uma razão que Resnais também foca: a “disponibilidade”. Incomoda-me, na ideia de “acompanhar uma série”, a necessidade de ter que fazer uma marca na agenda, e de saber que às tantas horas do dia tal tenho que estar em frente à TV (isto presumindo que os horários são cumpridos pelas estações). Mas há ainda outra coisa que, sem ser com certeza uma lei universal, julgo partilhável com outras pessoas que sejam “espectadoras de cinema” antes de serem “espectadoras de televisão”: a pouca paciência para um regime de visionamento “às pinguinhas”, uma hora agora, outra daqui a oito dias. Um cinéfilo gosta da duração, sabe que é o tempo que dá corpo ao que está a ver. Mas, dir-me-ão, há os compactos em DVD, que permitem que se veja tudo de seguida, não sei quantas horas de enfiada. Pois há, mas 1) mea culpa, mas no momento de comprar um DVD até agora tenho preferido aplicar o dinheiro em Langs ou em Sternbergs, por maior que seja a curiosidade de espreitar um CSI; e 2) culpa alheia atribuível à própria natureza das séries, é ilusória a ideia de que amontoar seis ou sete episódios lhes cria outra duração: podemos multiplicar o “tempo da experiência” mas não o tempo intrínseco aos objectos (assim como se cortarmos às fatias um Rivette, um Bela Tarr ou um Syberberg estamos apenas a manipular o tempo do espectador, não o dos filmes, e nesse passo a destruir completamente a percepção do objecto).


(o texto deste post, com alguns meses, era a introdução a um post maior e um bocado megalómano de que entretanto desisti, mas de que subsistiram alguns pedaços eventualmente aproveitáveis)

Thursday, September 06, 2007

Cacofonia

Há uns anos, bastantes anos mas não assim tantos, a hora do telejornal gerava um curioso efeito. Em casas como as em que vivia ou passava boa parte do ano (em Lisboa ou em Tomar), situadas em ruas pequenas cujas traseiras formavam uma espécie de pátio rear window-ish, as oito da noite traziam uma reverberação singularmente harmónica: o ar enchia-se do som de dezenas de televisores, todos sintonizados no mesmo programa, na mesma voz, nas mesmas palavras. Era uma sensação extremamente reconfortante. Estávamos todos a ver o mesmo, era como se todo um bairro partilhasse as mesmas inquietações, as mesmas angústias, a mesma experiência das coisas. Todos - os filhos da porteira como os filhos do doutor (e isto foi de certeza uma das razões por que precisei de chegar a adulto para ter uma noção do que eram e do que importavam as origens de classe). A essa hora, pelo menos, os problemas e as alegrias eram os problemas e as alegrias de todos. A proximidade era fácil, a comunidade uma coisa simples.

Hoje? Hoje em cada casa se vê um telejornal diferente. Cada um virado para seu lado. E pelas janelas, em vez de harmonia, vem cacofonia.

(advertência ao leitor: isto não é um post saudosista da RTP única; isto não é sequer um post sobre televisão)

Wednesday, September 05, 2007

Action painting
















Embora Beat the Devil, o melhor filme de John Huston digo eu (Bogart odiava: "only phonies like it"; é uma honra ser insultado por Bogart), me faça pensar que talvez Huston tenha tentado saltar do seu tempo e do seu lugar e fazer qualquer coisa, por exemplo e por que não?, à Pollock.


(A foto, obviamente, não é esclarecedora; com filmes, nenhuma foto é)

Tuesday, September 04, 2007

Arte & mezinhas

Caso este inquérito, nas voltas e contravoltas que por certo se seguirão, tenha a ideia de me vir bater à porta, aviso já que é inútil. A lista seria infindável. Mais, seria integral. Nunca um livro, nem um disco, nem um filme, mudou a minha vida. Não que não o desejasse, não que não o tenha pedido (mais a livros e a discos do que a filmes, curiosamente). Mudas invocações de mudança: “agora, muda a minha vida”, “muda-me”, “muda o mundo à minha volta”, três variantes do mesmo desejo. Mas a mudança não acontece a pedido.

Nem se encomenda na Amazon. O que nos muda, e o que nos muda a vida, são as outras pessoas, e são as coisas. O que escolhemos e o que alguém (o acaso, certamente) escolhe por nós. Os livros – e o resto – existem para nos ajudar a perceber. Mais: são aquilo que permanece depois de tudo ter mudado. Já não é mau. Mas ir além disso é confundir a arte e as mezinhas.

(Dito isto, correria para o livro que fizesse de mim um adulto. Ainda nenhum foi capaz disso, e já tentei quase todos aqueles de que vocês falam.)

Thursday, August 16, 2007

Cineasta para baptizados e casamentos

O sonho de Jean Eustache era ter a seguinte inscrição no cartão de visita:

Jean Eustache
Cinéaste pour noces et banquets

Thursday, August 09, 2007

A tua arte por um sofá















Genial, a história da visita de Bob Dylan à Factory. Depois de submeter a posar durante dois minutos para um dos "screen tests" de Warhol achou que devia ser compensado de alguma maneira. Pegou numa tela que ali estava (um Silver Elvis), pô-la debaixo do braço e levou-a com ele.


Parece que, mais tarde, Warhol ficou em estado de choque quando descobriu que Dylan tinha o quadro pendurado na parede, sim, mas o usava como alvo para jogar aos dardos. E que teve uma apoplexia quando soube que, depois, Dylan trocou o Silver Elvis por um sofá.


(Mas não sei porquê; no fundo, Dylan limitou-se a ser mais warholiano do que o papa: o que um des-trivializou, o outro re-trivializou)

O seu nome de Venice Beach em Calcutta, Tennessee deserta

Tarantino prepara um remake de Hiroshima Mon Amour. Passa-se inteiramente num sushi-bar situado numa área de serviço da auto-estrada Tóquio-Quioto e tem como protagonistas (para além de um Datsun 120 Y e de um Toyota Celica dos anos 70) um ex-actor japonês de filmes de artes marciais e a sua amante, uma americana negra, professora universitária especialista em sex studies que aproveitou um programa de intercâmbio entre universidades para passar uma temporada no Japão e cicatrizar uma dolorosa história de amor (com um redneck de Calcutta, Tennessee) que acabou mal.

O diálogo leit-motiv do filme será: “You didn’t see shit in Hiroshima, maddafucka”.

(Agora a sério, e pensando concretamente na crónica de hoje de EPC, parece-me que a questão da "cultura" ou da falta de "cultura" de Tarantino é muito pouco importante; além de que estas coisas mudam: durante décadas disse-se de Hitchcock algo muito semelhante; que era brilhante, sim, mas frívolo, oco, eventualmente "pouco culto")

Tuesday, July 31, 2007

Cada filme, o último

I do not know but perhaps the day will come when I shall be received indifferently by the public, perhaps together with a feeling of disgust in myself. Tiredness and emptiness will descend upon me like a dirty grey sack and fear will stifle everything. Emptiness will stare me in the face.


When this happens I shall put down my tools and leave the scene, of my own free will, without bitterness and without brooding whether or not the work has been useful and truthful from the viewpoint of eternity.


Wise and far-sighted men in the Middle Ages used to spend nights in their coffins in order never to forget the tremendous importance of every moment and the transient nature of life itself.


Without taking such drastic and uncomfortable measures I harden myself to the seeming futility and the fickle cruelty of film-making with the ernest conviction that each film is my last.


(Ingmar Bergman, numa brochura não datada mas cujo aspecto gráfico permite situar algures entre finais de 50 e princípios de 60)


(Sei que o morto do dia é Antonioni mas, sorry, não consigo digerir mais do que uma morte por semana)

Wednesday, July 04, 2007

Celestial

Henrique Viana foi interveniente num dos meus diálogos cinematográficos preferidos. "Holderlin? Não conheço, é policial?"; "Não, é celestial". Quem replicava era João César Monteiro, e o filme, obviamente, é as Recordações.

(Apanhei há bocado, por mero acaso, uma denominada "Homenagem a Henrique Viana" feita pela TVI; quem não soubesse, julgaria que Viana se tinha notabilizado por ser actor de telenovelas no século XXI; such is the power of television, glosando um amigo meu num mail a que ainda não respondi; e claro, Oliveira, César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa, João Mário Grilo, para a televisão comercial este pessoal é o inimigo; para a outra é só uma pedra no sapato)

Sem rosinhas vermelhas

O Memorial do Holocausto, no centro de Berlim. Por cima, dúzias de paralelipípedos alinhados em filas, total abstracção. Por baixo, um "centro de informações": números (muitos números), datas, nomes, algumas fotos, alguns fragmentos de testemunhos escritos. Expostos, é verdade, num dispositivo que usa, digamos, a cenografia como mecanismo de maximização dramática (ou dramatúrgica, até). Mas em total sobriedade, se não austeridade, sem truques nem efeitos a apelar à lágrima fácil. Mais Resnais ou Lanzmann (e mais Lanzmann do que Resnais) do que Spielberg.


Há sempre um lado fútil nos monumentos, sejam eles quais forem. Aqui tem-se a sensação de visitar uma excepção. Talvez o sítio mais comovente de Berlim

Monday, July 02, 2007

Derradeiro apontamento berlinense

Atravessa-se a Wilhelmstrasse, onde outrora estava instalado o coração do III Reich, e nada, nenhuma tabuleta, nenhuma espécie de sinalética, indica que era ali que se situava a chancelaria, o gabinete de Hitler, o célebre bunker, etc. Aos poucos edifícios dessa época que subsistem foram subtraidos os ornamentos com a simbologia nazi e são agora grandes matacões cinzentos e indistintos, que albergam serviços e instituições do governo alemão. Se não fossem as indicações constantes do guia, o passante nem sequer sabia que ali tinham sido tomadas algumas das mais atrozes decisões da história recente da humanidade.


(A única excepção é uma exposição, a Topographie des Terrors, situada nas ruinas do que antigamente foi o quartel-general da Gestapo e das SS; exposição a céu aberto, porque nada foi reconstruido).


Mas, chegando ao fim da Wilhelmstrasse, perto do Reichstag

Apontamento berlinense

Curt Bois, como espectral representante de uma Berlim antiga, pré-Hitler, pré-guerra, pré-tudo, passava pelas Asas do Desejo à procura de Potsdamer Platz, sem perceber que aquele glauco descampado com muro ao fundo era Potsdamer Platz. A ironia é que hoje, 2o anos depois do filme de Wenders, quando no lugar do descampado e do muro se ergue um futurista Sony Centre, Curt Bois estaria tão perdido como estava. Não há cidade mais condenada a mudar

Monday, June 11, 2007

O estilo de Rembrandt

Folheando o livro do post abaixo (a edição portuguesa), em que já não pegava desde a faculdade, reencontro uma história deliciosa. Um filme em que Cecil B. DeMille se entusiasmou com uma experiência de iluminação, que deixava parte dos planos na penumbra e fazia a luz incidir apenas sobre metade dos rostos dos actores. Mandado o filme para a distribuidora, recebeu um telegrama: "Endoideceu? Julga que posso vender o filme pelo preço inteiro quando mostra apenas a metade de um homem?". Com o filme a ser rejeitado em todo o lado, DeMille recorreu à guerra psicológica e enviou, por sua vez, um telegrama: "Se vocês são tão ignorantes que não reconhecem um claro-escuro de Rembrandt quando estão a ver, pelo menos não me atribuam as culpas". Funcionou: o distribuidor promoveu o filme com o slogan "O primeiro filme iluminado no estilo de Rembrandt!".


Mas eis a conclusão a que Arnheim chegava: "Esta história mostra até que ponto a nossa maneira de ver se modificou nestes últimos anos. Hoje em dia, o grande público está habituado aos efeitos de luz (...). Mas, nesse tempo (...) qualquer intrusão formativa era considerada uma detracção do realismo da natureza, isto é, do objectivo fundamental do filme. (...) Deviam colocar-se as luzes de tal modo que todos os pormenores de todos os objectos se pudessem ver claramente; não queriam sombras perturbadoras, mas sim uma perspectiva clara".


Isto foi escrito em 1932, ou quando muito em 1957. Não sei se, em 2007, Arnheim poderia estar tão seguro sobre a modificação da "maneira de ver", e muito menos sobre a disponibilidade para as "sombras perturbadoras" em detrimento da "perspectiva clara".

Rudolf Arnheim (1904-2007)

A primeira edição de O Cinema como Arte (ou, na tradução portuguesa das Edições de 70, A Arte do Cinema), saiu em 1932, ainda na Alemanha. Depois, nos anos 50, já Arnheim vivia nos EUA, houve uma revisão e actualização (e não estou certo de que não tenha havido ainda mais uma).


É um marco na bibliografia sobre cinema. Não apenas uma proclamação e defesa do cinema como arte, mas uma das primeiras tentativas teoricamente sustentadas e sistematizadas de defesa do cinema como arte não-naturalista.


Arnheim foi um dos primeiros a defendê-lo. Privilégio de uma longevidade de quase 103 anos, também se pode dizer: foi um dos últimos a defendê-lo.

Tuesday, June 05, 2007

Num mundo perfeito

Num mundo perfeito não se fariam filmes com crianças que não fossem remakes de Moonfleet ou de Night of the Hunter.


(por nenhuma razão especial, é só porque doutra maneira não vale a pena; todos os filmes bons com crianças nos últimos trinta ou quarenta ou anos são remakes ou dum ou doutro, e nos melhores casos dos dois ao mesmo tempo)


(e aos iranianos, que só fazem remakes do Night of the Hunter, dir-se-ia apenas: continuem)

Thursday, May 31, 2007

Noli me tangere


















É naquele breve, brevíssimo (um segundo? um segundo e dois décimos?) plano do rosto de Myriem Roussel, que faz uma expressão entre o pânico total e o horror absoluto, aliás num dramatismo "expressionista" (passe o pleonasmo), totalmente estranho à norma do cinema de Godard, é nesse plano, dizia eu, nesse noli me tangere que se segue ao momento em que o namorado Joseph avança com a mão para lhe tocar no ventre, que Je Vous Salue, Marie se torna definitivamente e sem retrocesso no mais religiosamente feminino dos filmes.

Wednesday, May 16, 2007

A escala Warhol (agora eu)

Michael Cimino estava na sua fase Seu Jorge. Samba, Casa do Brasil, e isso. Ao almoço, espantou-se que eu, "jovem", torcesse um bocado o nariz ao seu entusiasmo e perguntou-me de que música gostava eu. Música americana, respondi, Bob Dylan. Disse-me que Dylan compusera Visions of Johanna em louvor da sua (dele, Cimino) ex-mulher. Ainda hoje acho que estava a gozar com alguém (não comigo, mas com ele, com Dylan ou com a ex-mulher, por esta ordem de probabilidade). Despediu-se com um "temos que combinar aí um dia para ouvir some Dylan records".

(Mas até hoje, nada, nem um postalinho)

Thursday, March 01, 2007

O Senhor Novembro (aah I don't know)

Desde que, adolescente, um amigo (olá J.) me introduziu à beatlemania em todo os seus estados e aspectos associados, sei bem que a mais singela letra de canção pop se presta a operações que estão muito para além da mera "interpretação" e têm muito mais a ver com uma espécie de "desencriptação". Passei a horas a reflectir, a discutir, a consultar fontes autorizadas, para tentar perceber quem era de facto "a morsa", por que é que Glass Onion aparentemente contradizia I am the Walrus - interrogando-me menos, é certo, sobre a real importância de ter resposta para essas perguntas, ou sobre o que mudaria na minha relação com aquela música, aquelas canções e aquele universo a partir do momento em que tivesse respostas. Era como se "desencriptar" uma canção fosse aceder a uma "verdade escondida", que uma vez apreendida mudaria toda a ideia que fazemos do mundo. (As palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metropolitano, cantava Paul Simon, conseguindo dizer em meia-dúzia de palavras o que eu precisei de dez linhas para, desgraçadamente, não conseguir).

Hoje o sítio (que descobri fortuitamente) para partilhar interpretações e desencriptações de letras pop é um site chamado SongMeanings. Fornece a letra completa e espaço para que o pessoal partilhe as suas pessoais visões dela.

Mais ou menos ao acaso, apenas mais ou menos ao acaso, procurei a página correspondente a Mr November, dos National, que me parece a mais incompreensível letra dos últimos tempos ("this is nothing like it was in my room" - ah pois claro que não é). A única conversa que tive sobre esta canção foi com um amigo (olá J., que não é o J. dos Beatles) e resumiu-se a isto: um perguntou "que raio quer o gajo dizer com esta coisa?" e o outro respondeu "não faço a mínima ideia". Depois (e isto é só uma sidenote) voltámos à euforia que nos caracteriza.

Mas no Songmeanings diferentes teorias são propostas:

Alguém chamado "Eatmunky" defende tratar-se de uma canção sobre George W. Bush: "It's about the pressures of being president....I'm the new blue blood (as in royalty) im the great white hopeand mr. november... the elections are in november The english are waiting and i don't know what to do... it all kinda makes sense if you listen to it with that in mind. the only part i kinda dont get is the "I used to be carried on the arms of cheerleaders" I think its that he just to be captain of the football team or something and those are the kind of people who become president.. like the really popular people.. and now that he is, its really hard on him.. "this is nothing like it used to be in my room." and he's in his best clothes... etc.... ".

Logo a seguir vem "Impact", que propõe uma interpretação mais baseada na auto-referencialidade: "actually, this song has nothing to do with the president. it's about being under pressure while recording this album. reggie jackson was known as "mr. october" because he always saved his best for last, aka at the end of the season, so "mr. november" is his way of saying he's saving his best effort for last. i think i read that this song was actually the last one written for this record. the line "the english are waiting and i don't know what to do" is in reference to their label, beggar's banquet, which is a uk based label. "

("Freejoe76", sente-se mais inclinado para a teoria do presidente, mas, conciliador, defende que a explicação definitiva deve residir numa combinação das duas).

Alguns comentários depois, parecendo já fixadas essas duas hipóteses de desencriptação, "whj247" levanta uma questão importante: "what the hell does an alligator have to do with all of this?". (Alligator, se não sabem, é o nome do disco onde está a canção).

Não perde pela demora, porque "SomethingClever" responde-lhe quase de imediato: "Some interesting interpretations of this song. I don't know what its actually about but I have two points to make. First I know it's common knowledge that Reggie Jackson is Mr. October but, being from NY, I don't think that its as widely known that Derek Jeter is Mr. November for the same reason as Reggie except the season now ends in November. Second I was wondering why the album was called Alligator as well and thiink its because of the line in City Middle "I wanna go gator around the warm beds of beginners". It seems like the album is a testament to being a lowdown dirty creature that devours women. Just my take ofcourse. "

Mas a introdução do tema do crocodilo produziu de facto uma ruptura epistemológica na discussão, como se confirma pelas observações de "brokenspoons": "when he said "gator" in the line "I wanna go gator around the warm beds of beginners" he was using it as a synonym for explore or going crazy sort of. so maybe the title of the album is alligator as a metaphor for an exploration or an explorer of some sort. or possibly someone who is going crazy. ahh I don't know. "

Neste ponto o "aah I don't know" de "brokenspoons" exprime bem o impasse a que se chegou numa conversa que durava desde Abril de 2005. Foi preciso esperar por hoje (ontem, dia 28) para que "descendant", cru e taxativo, viesse pôr um ponto de ordem na conversa: "He used to be admired by others back in high school - a football star likely, a "great white hope" carried in the arms of cheerleaders, with blue blood - a real 'Merican boy. Now he's a nobody, a loser. He dreams, sleeps too late, and is terrified of the world. But he has something to do. Something that other people are counting on him for. Trying to convince himself he can do it, He sais he won't fuck it up because he's "Mr. November," godamnit, and don't you forget it... But really he's gunna fuck it up because he's a loser now. "

E eu? Eu, I rest my case.