Francesco, Giullare di Dio, Roberto Rossellini, 1950
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Simon del Desierto, Luis Buñuel, 1965 (+ a quarta bobina de Blow Up, a dos Yardbirds e do pedaço de guitarra)
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Agostino d'Ippona, Roberto Rossellini, 1972
Friday, November 16, 2007
Sunday, November 11, 2007
Mailer by Walsh
Gostava aqui de lembrar que o primeiro livro de Normal Mailer serviu, cerca de dez anos depois da sua publicação, para um dos mais fascinantes filmes do período final do classicismo hollywoodiano, quando esse dito classicismo se dissolvia gloriosamente em qualquer coisa que tinha tanto de uma euforia barroca como de uma secura definitiva e irremediavelmente "pós", e que o responsável pela adaptação nem foi um qualquer jovem turco modernista mas antes um veterano - aliás, um pioneiro - de Hollywood chamado Raoul Walsh.
Saturday, November 10, 2007
Ódio
Actividades, chamemos-lhes, "para-profissionais" que me ocuparam (e vão ainda ocupar, hélas!) nos últimos meses permitiram-me confirmar algo de que já desconfiava. A grande praga dos nossos dias, meus amigos, é o "humanismo". Não digo o Humanismo, tradição poética, filosófica, política comprovadamente nobre. Digo uma declinação saloia desse Humanismo, o "humanismo", obcecada com o bom sentimento, com o pensamento positivo, com a infantilização do ser humano - onde a humanidade é uma espécie de grande rebanho para onde há que voltar a chamar aqueles que desgraçadamente (e porque não conseguiram pensar "positivo") se transviaram.
Dei urros silenciosos de alegria, portanto, quando vi, nesse inesperadíssimo filme que é Control, o émulo de Ian Curtis a usar um blusão com a palavra "Hate" escrita nas costas. (Em certo sentido, não há mensagem mais urgente: reclamar o direito ao ódio). Com esse blusão divide-se o mundo. Bono, por exemplo, que é contemporâneo de Curtis e tudo: obviamente nunca usaria um blusão a dizer "hate" (quer dizer, hoje não usaria, naquele tempo não sei, e faço esta ressalva porque ainda o respeito).
Não me lixem: tudo o que é interessante na história criativa da humanidade tem a ver com a sublimação/condensação/explosão de energias que o senso comum tem por "negativas". Um livro, um filme, um quadro que não ponha a humanidade em cheque é só um passatempo.
É por isso que insisto em ir ao cinema. Se quiser conversa beata vou aos encontros paroquiais na igreja da minha freguesia - que aliás, dista meros cem metros da minha casa.
Wednesday, October 03, 2007
Which way to the revolution?
Há muito que não tinha tão bizarra exchange com um transeunte desconhecido. Deambulando pelo Soho, ruas cheias de gente a fumar cá fora porque agora não se pode fumar lá dentro, fui abordado por um tipo, um negro baixinho e gorducho, que com uma expressão facial entre o exasperado e o angustiado, foi directo ao assunto: "Do you know where the revolution is?". Fiz por não parecer demasiado desconcertado, e respondi-lhe com o tom de voz mais pesaroso que consegui: "sorry mate, I haven't the slightest idea".
Claro que, tratando-se do Soho, o mais provável é que a "revolution" em causa fosse um pub ou um club. Mas prefiro pensar que alguém me escolheu para partenaire de um pequeno gag melancólico sobre o estado político do mundo.
Tuesday, October 02, 2007
Thursday, September 13, 2007
Os tempos
Numa entrevista recente Alain Resnais falava longamente do seu interesse em séries de televisão – CSI, os Sopranos, 24, enfim, todas as que fazem a ordem do dia (excluindo, curiosamente, Lost, que por alguma razão dizia ter “evitado”). Eu tenho apenas uma vaga (e diferida) ideia do que é que ele está a falar – sou péssimo espectador de séries, por uma razão que Resnais também foca: a “disponibilidade”. Incomoda-me, na ideia de “acompanhar uma série”, a necessidade de ter que fazer uma marca na agenda, e de saber que às tantas horas do dia tal tenho que estar em frente à TV (isto presumindo que os horários são cumpridos pelas estações). Mas há ainda outra coisa que, sem ser com certeza uma lei universal, julgo partilhável com outras pessoas que sejam “espectadoras de cinema” antes de serem “espectadoras de televisão”: a pouca paciência para um regime de visionamento “às pinguinhas”, uma hora agora, outra daqui a oito dias. Um cinéfilo gosta da duração, sabe que é o tempo que dá corpo ao que está a ver. Mas, dir-me-ão, há os compactos em DVD, que permitem que se veja tudo de seguida, não sei quantas horas de enfiada. Pois há, mas 1) mea culpa, mas no momento de comprar um DVD até agora tenho preferido aplicar o dinheiro em Langs ou em Sternbergs, por maior que seja a curiosidade de espreitar um CSI; e 2) culpa alheia atribuível à própria natureza das séries, é ilusória a ideia de que amontoar seis ou sete episódios lhes cria outra duração: podemos multiplicar o “tempo da experiência” mas não o tempo intrínseco aos objectos (assim como se cortarmos às fatias um Rivette, um Bela Tarr ou um Syberberg estamos apenas a manipular o tempo do espectador, não o dos filmes, e nesse passo a destruir completamente a percepção do objecto).
(o texto deste post, com alguns meses, era a introdução a um post maior e um bocado megalómano de que entretanto desisti, mas de que subsistiram alguns pedaços eventualmente aproveitáveis)
Thursday, September 06, 2007
Cacofonia
Há uns anos, bastantes anos mas não assim tantos, a hora do telejornal gerava um curioso efeito. Em casas como as em que vivia ou passava boa parte do ano (em Lisboa ou em Tomar), situadas em ruas pequenas cujas traseiras formavam uma espécie de pátio rear window-ish, as oito da noite traziam uma reverberação singularmente harmónica: o ar enchia-se do som de dezenas de televisores, todos sintonizados no mesmo programa, na mesma voz, nas mesmas palavras. Era uma sensação extremamente reconfortante. Estávamos todos a ver o mesmo, era como se todo um bairro partilhasse as mesmas inquietações, as mesmas angústias, a mesma experiência das coisas. Todos - os filhos da porteira como os filhos do doutor (e isto foi de certeza uma das razões por que precisei de chegar a adulto para ter uma noção do que eram e do que importavam as origens de classe). A essa hora, pelo menos, os problemas e as alegrias eram os problemas e as alegrias de todos. A proximidade era fácil, a comunidade uma coisa simples.
Hoje? Hoje em cada casa se vê um telejornal diferente. Cada um virado para seu lado. E pelas janelas, em vez de harmonia, vem cacofonia.
(advertência ao leitor: isto não é um post saudosista da RTP única; isto não é sequer um post sobre televisão)
Hoje? Hoje em cada casa se vê um telejornal diferente. Cada um virado para seu lado. E pelas janelas, em vez de harmonia, vem cacofonia.
(advertência ao leitor: isto não é um post saudosista da RTP única; isto não é sequer um post sobre televisão)
Wednesday, September 05, 2007
Action painting
Embora Beat the Devil, o melhor filme de John Huston digo eu (Bogart odiava: "only phonies like it"; é uma honra ser insultado por Bogart), me faça pensar que talvez Huston tenha tentado saltar do seu tempo e do seu lugar e fazer qualquer coisa, por exemplo e por que não?, à Pollock.
(A foto, obviamente, não é esclarecedora; com filmes, nenhuma foto é)
Tuesday, September 04, 2007
Arte & mezinhas
Caso este inquérito, nas voltas e contravoltas que por certo se seguirão, tenha a ideia de me vir bater à porta, aviso já que é inútil. A lista seria infindável. Mais, seria integral. Nunca um livro, nem um disco, nem um filme, mudou a minha vida. Não que não o desejasse, não que não o tenha pedido (mais a livros e a discos do que a filmes, curiosamente). Mudas invocações de mudança: “agora, muda a minha vida”, “muda-me”, “muda o mundo à minha volta”, três variantes do mesmo desejo. Mas a mudança não acontece a pedido.
Nem se encomenda na Amazon. O que nos muda, e o que nos muda a vida, são as outras pessoas, e são as coisas. O que escolhemos e o que alguém (o acaso, certamente) escolhe por nós. Os livros – e o resto – existem para nos ajudar a perceber. Mais: são aquilo que permanece depois de tudo ter mudado. Já não é mau. Mas ir além disso é confundir a arte e as mezinhas.
(Dito isto, correria para o livro que fizesse de mim um adulto. Ainda nenhum foi capaz disso, e já tentei quase todos aqueles de que vocês falam.)
Nem se encomenda na Amazon. O que nos muda, e o que nos muda a vida, são as outras pessoas, e são as coisas. O que escolhemos e o que alguém (o acaso, certamente) escolhe por nós. Os livros – e o resto – existem para nos ajudar a perceber. Mais: são aquilo que permanece depois de tudo ter mudado. Já não é mau. Mas ir além disso é confundir a arte e as mezinhas.
(Dito isto, correria para o livro que fizesse de mim um adulto. Ainda nenhum foi capaz disso, e já tentei quase todos aqueles de que vocês falam.)
Thursday, August 16, 2007
Cineasta para baptizados e casamentos
O sonho de Jean Eustache era ter a seguinte inscrição no cartão de visita:
Jean Eustache
Cinéaste pour noces et banquets
Jean Eustache
Cinéaste pour noces et banquets
Thursday, August 09, 2007
A tua arte por um sofá
Genial, a história da visita de Bob Dylan à Factory. Depois de submeter a posar durante dois minutos para um dos "screen tests" de Warhol achou que devia ser compensado de alguma maneira. Pegou numa tela que ali estava (um Silver Elvis), pô-la debaixo do braço e levou-a com ele.
Parece que, mais tarde, Warhol ficou em estado de choque quando descobriu que Dylan tinha o quadro pendurado na parede, sim, mas o usava como alvo para jogar aos dardos. E que teve uma apoplexia quando soube que, depois, Dylan trocou o Silver Elvis por um sofá.
(Mas não sei porquê; no fundo, Dylan limitou-se a ser mais warholiano do que o papa: o que um des-trivializou, o outro re-trivializou)
O seu nome de Venice Beach em Calcutta, Tennessee deserta
Tarantino prepara um remake de Hiroshima Mon Amour. Passa-se inteiramente num sushi-bar situado numa área de serviço da auto-estrada Tóquio-Quioto e tem como protagonistas (para além de um Datsun 120 Y e de um Toyota Celica dos anos 70) um ex-actor japonês de filmes de artes marciais e a sua amante, uma americana negra, professora universitária especialista em sex studies que aproveitou um programa de intercâmbio entre universidades para passar uma temporada no Japão e cicatrizar uma dolorosa história de amor (com um redneck de Calcutta, Tennessee) que acabou mal.
O diálogo leit-motiv do filme será: “You didn’t see shit in Hiroshima, maddafucka”.
(Agora a sério, e pensando concretamente na crónica de hoje de EPC, parece-me que a questão da "cultura" ou da falta de "cultura" de Tarantino é muito pouco importante; além de que estas coisas mudam: durante décadas disse-se de Hitchcock algo muito semelhante; que era brilhante, sim, mas frívolo, oco, eventualmente "pouco culto")
O diálogo leit-motiv do filme será: “You didn’t see shit in Hiroshima, maddafucka”.
(Agora a sério, e pensando concretamente na crónica de hoje de EPC, parece-me que a questão da "cultura" ou da falta de "cultura" de Tarantino é muito pouco importante; além de que estas coisas mudam: durante décadas disse-se de Hitchcock algo muito semelhante; que era brilhante, sim, mas frívolo, oco, eventualmente "pouco culto")
Tuesday, July 31, 2007
Cada filme, o último
I do not know but perhaps the day will come when I shall be received indifferently by the public, perhaps together with a feeling of disgust in myself. Tiredness and emptiness will descend upon me like a dirty grey sack and fear will stifle everything. Emptiness will stare me in the face.
When this happens I shall put down my tools and leave the scene, of my own free will, without bitterness and without brooding whether or not the work has been useful and truthful from the viewpoint of eternity.
Wise and far-sighted men in the Middle Ages used to spend nights in their coffins in order never to forget the tremendous importance of every moment and the transient nature of life itself.
Without taking such drastic and uncomfortable measures I harden myself to the seeming futility and the fickle cruelty of film-making with the ernest conviction that each film is my last.
(Ingmar Bergman, numa brochura não datada mas cujo aspecto gráfico permite situar algures entre finais de 50 e princípios de 60)
(Sei que o morto do dia é Antonioni mas, sorry, não consigo digerir mais do que uma morte por semana)
Wednesday, July 04, 2007
Celestial
Henrique Viana foi interveniente num dos meus diálogos cinematográficos preferidos. "Holderlin? Não conheço, é policial?"; "Não, é celestial". Quem replicava era João César Monteiro, e o filme, obviamente, é as Recordações.
(Apanhei há bocado, por mero acaso, uma denominada "Homenagem a Henrique Viana" feita pela TVI; quem não soubesse, julgaria que Viana se tinha notabilizado por ser actor de telenovelas no século XXI; such is the power of television, glosando um amigo meu num mail a que ainda não respondi; e claro, Oliveira, César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa, João Mário Grilo, para a televisão comercial este pessoal é o inimigo; para a outra é só uma pedra no sapato)
(Apanhei há bocado, por mero acaso, uma denominada "Homenagem a Henrique Viana" feita pela TVI; quem não soubesse, julgaria que Viana se tinha notabilizado por ser actor de telenovelas no século XXI; such is the power of television, glosando um amigo meu num mail a que ainda não respondi; e claro, Oliveira, César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa, João Mário Grilo, para a televisão comercial este pessoal é o inimigo; para a outra é só uma pedra no sapato)
Sem rosinhas vermelhas
O Memorial do Holocausto, no centro de Berlim. Por cima, dúzias de paralelipípedos alinhados em filas, total abstracção. Por baixo, um "centro de informações": números (muitos números), datas, nomes, algumas fotos, alguns fragmentos de testemunhos escritos. Expostos, é verdade, num dispositivo que usa, digamos, a cenografia como mecanismo de maximização dramática (ou dramatúrgica, até). Mas em total sobriedade, se não austeridade, sem truques nem efeitos a apelar à lágrima fácil. Mais Resnais ou Lanzmann (e mais Lanzmann do que Resnais) do que Spielberg.Há sempre um lado fútil nos monumentos, sejam eles quais forem. Aqui tem-se a sensação de visitar uma excepção. Talvez o sítio mais comovente de Berlim
Monday, July 02, 2007
Derradeiro apontamento berlinense
Atravessa-se a Wilhelmstrasse, onde outrora estava instalado o coração do III Reich, e nada, nenhuma tabuleta, nenhuma espécie de sinalética, indica que era ali que se situava a chancelaria, o gabinete de Hitler, o célebre bunker, etc. Aos poucos edifícios dessa época que subsistem foram subtraidos os ornamentos com a simbologia nazi e são agora grandes matacões cinzentos e indistintos, que albergam serviços e instituições do governo alemão. Se não fossem as indicações constantes do guia, o passante nem sequer sabia que ali tinham sido tomadas algumas das mais atrozes decisões da história recente da humanidade.(A única excepção é uma exposição, a Topographie des Terrors, situada nas ruinas do que antigamente foi o quartel-general da Gestapo e das SS; exposição a céu aberto, porque nada foi reconstruido).
Mas, chegando ao fim da Wilhelmstrasse, perto do Reichstag
Apontamento berlinense
Curt Bois, como espectral representante de uma Berlim antiga, pré-Hitler, pré-guerra, pré-tudo, passava pelas Asas do Desejo à procura de Potsdamer Platz, sem perceber que aquele glauco descampado com muro ao fundo era Potsdamer Platz. A ironia é que hoje, 2o anos depois do filme de Wenders, quando no lugar do descampado e do muro se ergue um futurista Sony Centre, Curt Bois estaria tão perdido como estava. Não há cidade mais condenada a mudar
Monday, June 11, 2007
O estilo de Rembrandt
Folheando o livro do post abaixo (a edição portuguesa), em que já não pegava desde a faculdade, reencontro uma história deliciosa. Um filme em que Cecil B. DeMille se entusiasmou com uma experiência de iluminação, que deixava parte dos planos na penumbra e fazia a luz incidir apenas sobre metade dos rostos dos actores. Mandado o filme para a distribuidora, recebeu um telegrama: "Endoideceu? Julga que posso vender o filme pelo preço inteiro quando mostra apenas a metade de um homem?". Com o filme a ser rejeitado em todo o lado, DeMille recorreu à guerra psicológica e enviou, por sua vez, um telegrama: "Se vocês são tão ignorantes que não reconhecem um claro-escuro de Rembrandt quando estão a ver, pelo menos não me atribuam as culpas". Funcionou: o distribuidor promoveu o filme com o slogan "O primeiro filme iluminado no estilo de Rembrandt!".
Mas eis a conclusão a que Arnheim chegava: "Esta história mostra até que ponto a nossa maneira de ver se modificou nestes últimos anos. Hoje em dia, o grande público está habituado aos efeitos de luz (...). Mas, nesse tempo (...) qualquer intrusão formativa era considerada uma detracção do realismo da natureza, isto é, do objectivo fundamental do filme. (...) Deviam colocar-se as luzes de tal modo que todos os pormenores de todos os objectos se pudessem ver claramente; não queriam sombras perturbadoras, mas sim uma perspectiva clara".
Isto foi escrito em 1932, ou quando muito em 1957. Não sei se, em 2007, Arnheim poderia estar tão seguro sobre a modificação da "maneira de ver", e muito menos sobre a disponibilidade para as "sombras perturbadoras" em detrimento da "perspectiva clara".
Rudolf Arnheim (1904-2007)
A primeira edição de O Cinema como Arte (ou, na tradução portuguesa das Edições de 70, A Arte do Cinema), saiu em 1932, ainda na Alemanha. Depois, nos anos 50, já Arnheim vivia nos EUA, houve uma revisão e actualização (e não estou certo de que não tenha havido ainda mais uma).É um marco na bibliografia sobre cinema. Não apenas uma proclamação e defesa do cinema como arte, mas uma das primeiras tentativas teoricamente sustentadas e sistematizadas de defesa do cinema como arte não-naturalista.
Arnheim foi um dos primeiros a defendê-lo. Privilégio de uma longevidade de quase 103 anos, também se pode dizer: foi um dos últimos a defendê-lo.
Tuesday, June 05, 2007
Num mundo perfeito
Num mundo perfeito não se fariam filmes com crianças que não fossem remakes de Moonfleet ou de Night of the Hunter.
(por nenhuma razão especial, é só porque doutra maneira não vale a pena; todos os filmes bons com crianças nos últimos trinta ou quarenta ou anos são remakes ou dum ou doutro, e nos melhores casos dos dois ao mesmo tempo)
(e aos iranianos, que só fazem remakes do Night of the Hunter, dir-se-ia apenas: continuem)
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