Saturday, May 17, 2008

I can hear music #2

No mesmo video ouve-se uma história muito comovente. A de uma mulher, russa, que não suportava as reuniões do Partido mas não lhes podia escapar. Fisicamente, pelo menos. O que ela fazia era isto: na véspera, escolhia uma partitura qualquer e decorava-a; no dia a seguir, durante a reunião, tocava-a mentalmente.

(como dizia o outro, Notre Musique).

E esta história faz-me lembrar a história do soldado Philippe, que no meio da lama das trincheiras se foi esquecendo do quanto gostava dos gregos e de como sonhava com a Atlântida. É uma história contada em La France, de Serge Bozon, um dos filmes mais bonitos que vi este ano. Se o filme não estrear por cá (no estado em que as coisas estão), um dia destes conto-a.

(Notre Musique, n'est-ce pas?)

Nobre forma de vida

"Viver incógnito parecia-me a mais nobre das formas de vida".

Bonita frase (bonita ideia), dita, em russo, num belo video de João Penalva (336 Rios).

Não inalarei

"Vou deixar de fumar": isto é o "I didn't inhale" de Sócrates, convenientemente "projectado" para o futuro. (?)

O futuro é já

Ou, mais exactamente, a 1 de Junho.

Os National, o Callahan: Mr Berman, o senhor fica-se?

E o senhor, Mr Forster?

Aviso de recepção


Obrigado, Cristina.


(post com duas semanas de atraso)

Tuesday, May 13, 2008

Squalor Victoria!

Sunday, April 27, 2008

O plano seguinte


Não está cheia, mas as nuvenzinhas muito finas e muito definidas que a cortam fazem da lua desta noite uma lua Chien Andalou.

Não sei se sabem qual é o plano seguinte.

Thursday, April 24, 2008

A noite é nossa #2

(...) Je t'expliquerai un jour en détail cette hypertrophie de la texture et de la surface, cet effet enfantin, cet effet Lego qui contamine tout ce qu'on appelle encore "le cinéma", du Chéreau londonien à ce film culte pour midinettes amoureuses, Requiem for a Dream. (...)

Começava a haver falta de Skorecki neste blog.

I can hear music

Sonhei que no espólio de Johnny Cash alguém descobria a gravação de uma cover do Tainted Love dos Soft Cell.

Era genial, absolutamente genial. Ouvi-a.

Um pouco de auto-promoção, com os diabos, que não sou menos do que os outros

Por falar em Blade Runner, sexta-feira myself explica a sua aversão. Explica é como quem diz, dá a entender.

Wednesday, April 23, 2008

A noite é nossa

Por causa de Little Odessa e, sobretudo, de The Yards, e ainda por causa de tudo o que tinha lido sobre ele (os comentários positivos mas sobretudo os comentários negativos), andava um bocado em pulgas para ver We Own the Night, coisa que só hoje tive ocasião de fazer. É um filme espantoso, crescentemente espantoso, nos seus aspectos interiores (o que é balbuciado, elidido, não mencionado - como as sombras azul-polícia que tomam conta da fotografia na segunda parte) muito mais do que por quaisquer "saliências" (o pessoal hoje grama é "virtuosismo", coisa para que Gray, felizmente, se está nas tintas). E qual Coppola, qual Scorsese: quando chega o último plano, os "I love you very much" sussurrados pelos dois irmãos Grusinsky, lado a lado, torna-se evidente que se Gray tem os olhos em alguém é em Ford. Troquem as fardas da polícia por umas fardas da Cavalaria e não têm como discordar.

Leio algures (algures não, na Time Out, que se lixe a falta de vontade de implicar) que ninguém acredita que Mark Wahlberg e Joaquin Phoenix sejam irmãos. Eu também não acredito. Mas acredito, vejo, constato, que Joe e Bobby Grusinsky são irmãos. Aliás, no Darjeeling do Wes Anderson também nunca acreditei que Owen Wilson, Jason Schwartzman e Adrian Brody fossem irmãos, embora acreditasse piamente nos irmãos Whitman. Podia dizer que em Blade Runner também não acredito por um momento que algum daqueles actores seja um "replicante". Mas... so what?

Saturday, April 19, 2008

I pomeriggi di maggio

E eu estou vivo

"Pavese morreu. E eu estou vivo".

Michelangelo Antonioni, algures nos anos 50, em resposta a uma pergunta sobre a influência de Cesare Pavese nos seus filmes.

Thursday, March 27, 2008

Widmark

Típico actor americano do pós-II Guerra, Widmark tinha uma ambiguidade natural que o tornava excepcionalmente dotado para encarnar anti-heróis (também típicos do período 1945-55), como os protagonistas esquivos, sombrios, frios como répteis, do mundo fulleriano. Eis uma cena memorável de Pick Up On South Street (1953). De Samuel Fuller, evidentemente.